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sexta-feira, junho 18, 2010

Saramago

O Saramago era uma figura muito triste. Brigou com os judeus por seus comentários anti-semitas e brigou com os cristãos quando escreveu o Evangelho segundo Jesus Cristo, brigou com os crentes por ser ateu. Brigou também com a direita por ter apoiado a esquerda e com a esquerda por ter se mostrado descrente com Cuba. Brigou com o continente e foi morar numa ilha. Brigou com a língua portuguesa e escreveu vários livros quebrando suas as regras, e era contra a unificação do portugues, contra a unificação da Europa e do Euro. Morreu sendo amado por tudo isso e odiado pelos mesmos motivos. Por dentro desse pensador fabulista, perambulava um critico das fragilidades humanas. Escreveu alguns livros muito bons e outros que  considero uma chatura sem fim (pois nunca cheguei ao fim). Não concordo com sua visão pessimista, com sua visão de soluções sem soluções, de utopias inalcaçáveis que como que nos amaldiçoam por estarmos longe delas e estas serem inatingíveis. Ele via a fragilidade humana com muita agudeza, nossos vícios, nosso delírios, nossas fraquezas. Sempre com esse viés sombrio do homem só sem solução, sem opções. Muito bom para nos despertar e chacoalhar, para machucar um pouco nosso egoísmo, e aplacar nossos momentos argentinicamente ególatras. Espero que ele descanse em paz e enfim descubra se vai passar sua eternidade no céu, no inferno ou apenas nos corações daqueles que o amaram.